Doação de órgãos – 27/9

Mamãe, eu quero doar!

Olá, amigos, eu sou a Luisa Micheletti, sou apresentadora da MTV, tenho um blog, um twitter e assim como vocês, vivo quebrando a cabeça, pensando em boas maneiras de usar a comunicação e a tecnologia para gerar reflexão.

Dia 27 de setembro é o dia mundial da doação de órgãos e eu fui convidada a doar um post relacionado ao tema. Como pode um procedimento aparentemente  tão simples (basta autorizar verbalmente a própria família) ser ainda tão complicado?

A primeira pergunta que surgiu para mim foi: o que faria com que muita gente decidisse não doar um órgão? Apego? Medo?

O tipo de apego que nos prende `a idéia de que não devemos nos desfazer de uma parte do nosso corpo depois de mortos é o mesmo que nos faz acreditar que somos apenas matéria. Ou seja, o medo, o tabu, nada mais é que uma falta de fé. Ora, por acaso levamos nossas roupas, nosso laptop, nossos bens, nosso cofrinho cheio de dinheiro acumulado para o lado de lá? Nunca vi anjo de mochila. Eles sobem voando, nus, leves como a própria verdade. Se cutivássemos nossa real essência, nossa verdade interior, nossa conexão com o divino, poderíamos nos tornar um pouco menos receosos de perder o que possuímos materialmente em vida, nos tornando mais generosos. A meditação prova isso, e está ficando cada vez mais popular. Muitas religiões, ao contrário do que eu pensava, não são exatamente contra a doação de órgãos.

Se há algum medo, algum tabu, ele está relacionado ao nosso modo viciado de ver o mundo de forma materialista. Não fomos ensinados a doar, fomos ensinados a acumular, a produzir mais e mais, e guardar o que já se tem. Gosto de uma máxima cigana que diz que acumular é roubar. No fim das contas, nós necessitamos de muito pouco para viver. O resto é excesso. Segundo os ciganos, se você acumula, você rouba a oportunidade de outra pessoa usufruir aquilo (seja um objeto, uma roupa, o que for).

A compaixão é um sentimento sofisticado. Esquecido, mas necessário. Temos medo de morrer porque não sabemos o que vem depois. Temos medo de morrer porque sabemos que tudo o que existe vai acabar um dia: as árvores, as pedras, o nosso corpo. Estamos sempre tentando nos agarrar a algo que nos dê alguma certeza. Mas essa certeza não existe, ou melhor, não existe na forma como fomos educados a entender as certezas. O medo se combate com confiança, com amor. Doação é puro amor e compaixão. E compaixão, eu acredito, é a credencial para um mundo mais elevado.

Se a sua casa pegasse fogo, o que você salvaria? Jean Cocteau respondeu: “o fogo”. A chama é a única coisa que não morre: a vida. Segundo Jean-Yves Leloup, “o amor é o único Deus que não é um ídolo; só o possuímos quando o damos… para o céu nada se leva… a não ser o que se deu”.

doadoraJá coloquei meu selinho no twitter. Já avisei mamãe. E você? Tá esperando o que?

Abs e até a próxima!